Lançar mundos no mundo…

Tantas Palavras

Setembro 27, 2009 · Deixe um comentário

Deu vontade de postar:
Futebol. Carnaval. Praia. Grande parte dos estrangeiros resume o nosso país tropical nessas três palavras. Visto sob uma óptica errada, pode ser considerado uma maravilha. Mas não é bem assim. A situação atual do Brasil é caótica, tanto política quanto culturalmente.
O quadro político do país nos mostra o conformismo e a corrupção de maneira plena. Não parece que há vinte anos atrás, o povo se mobilizou por uma causa: a democracia, nada fácil de ser conquistada. O conformismo é enorme, o povo perdeu a esperança e desistiu de lutar. O brasileiro vê toda a corrupção passar bem debaixo dos seus olhos e o máximo que faz é juntar uns amigos e ir pra Paulista, fazer um protesto que mais parece uma festa ou um circo. Na verdade, o que acontece é que a população só quer parecer engajada, quando, na realidade, não o é. A questão da luta pelos direitos políticos se tornou muito mais um artigo da moda do que um ideal. Com isso, o político faz as coisas mais absurdas possíveis sem se importar com o povo, sabendo que nada acontecerá. A impunidade e o conformismo só aceleram e pioram o caos do país.
Além disso, a cultura também sofre. Alguns podem até dizer que o Brasil tem uma diversidade cultural incrível, mas até nossos costumes mais arraigados tem sido massificados e transformados em uma coisa sem graça, tirando toda sua beleza. Estamos perdendo essa “identidade” a partir da diversidade da nossa cultura. Os nossos costumes estão se resumindo a um jogo de futebol aqui, a um campeonato a cada quatro anos ali. Com o desvanescimento dessa variedade, perde-se também o orgulho de ser brasileiro, o que aumenta ainda mais a influência de outros países, fazendo desse processo, uma bola de neve (condição climática que, aliás, não ocorre normalmente aqui, só no exterior) que só tende a crescer.
Outro ponto prejudicial é a visão que se tem do nosso país pelos estrangeiros. Eles (que, muitas vezes, pensam que nossa capital é Buenos Aires) acabam estereotipando o local e não consideram outros fatores bons ou ruins da nação, o que poderia ajudar a desenvolver tantos pontos desfalcados do Brasil. Eles pensam que o Carnaval dura 365 dias, que não tem nada depois de alguns quilômetros da praia mais próxima e acham que todos os 190 milhões de seres humanos sobrevivem por causa de uma bola de futebol. O autor pode ter exagerado na enumeração anterior, mas é quase isso. De qualquer jeito, a visão sobre o país precisa ser alterada, e rápido.
Enfim, “o Brazil não conhece o Brasil” e “o Brasil nunca foi ao Brazil”, como já disse Aldir Blanc e Tapaós em Querellas do Brasil. Tanto polítca quanto culturalmente é preciso uma reforma para que, assim, os brasileiros possam se estabelecer e continuar com suas diversidades e belezas que o tornam único, além de mostrar que o nosso país não são só três, mas milhares de palavras.

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Um Estudo em Vermelho

Agosto 3, 2009 · Deixe um comentário

Terminei há umas duas semanas, mas enrolei um pouco pra escrever sobre ele. Arthur Connan Doyle é um gênio para esse tipo de narrativa. Sherlock Holmes é, com certeza, um marco para a literatura, um dos grandes personagens/heróis já inventados e que ainda conta com fãs do mundo inteiro e das mais diversas idades.
O primeiro livro conta como Watson conhece Holmes e mostra bem o método de trabalho do detetive mais famosos de todos os tempos: a dedução.
É interessante ver ao final do livro como todas os fatos se entrelaçam e formam as causas do crime. Mais interessante ainda é analisar o pensamento regressivo (isto é, começando do presente para ir para o passado) que Holmes usa para resolver o caso.
Porém, percebe-se que o autor usa alguns truques para tentar tornar o raciocínio de Holmes. Por exemplo, nesse livro, não é mostrado quando Holmes recebe a resposta dos EUA falando sobre Hope. Mas ele usa um bom método para “esconder” isso, usando a narrativa em primeira pessoa, do ponto de vista de Watson.
Outra coisa importante é a divisão do livro: numa primeira parte, conta a história que envolve Holmes e Watson, eles visitando a cena do crime, prendendo o criminoso, etc. Na segunda parte, conta o que acontece, toda uma história de vingança que faz com que o assassino mate os dois senhores. Dá um toque diferente para a narrativa, o que a deixa mais interessante. Num primeiro momento, ao chegar na segunda parte, parece que é uma nova história, que editaram o livro de maneira errada, colocaram uma história que não tinha nada a a ver… porém, com o tempo, percebe-se que há toda a relação e que a história contada é a causa do crime.
Enfim, é muito interessante e ótimo para se divertir um pouco.
Agora, como eu já tinha lido Capitães da Areia, não o li de novo para a escola, então vou passar para Antologia Poética de Vinicius de Moraes.

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O Cortiço

Julho 19, 2009 · Deixe um comentário

Depois de um bom tempo sem posts, estou de volta.
É fato que faz quase um mês que eu terminei a leitura do último livro, mas eu não li mais nada depois desse livro. Triste.
Bom, O Cortiço é uma obra um tanto… repugnante… no nível de enredo… não que seja um aspecto negativo. Por mostrar uma parte degradada da população brasileira do século XIX/XX.
A história é basicamente a vida, morte e renascimento do Cortiço de João Romão. Como começa: com toda a maracutaia por parte do dono, roubando material de construção, brigando com o dono do sobrado vizinho, etc. Assim ele cresce até ser destruído por um incêndio para depois ser reconstruído e rehabitado, dessa vez por uma classe um pouco mais “alta” do que a anterior.
Outro aspecto interessante são as personagens que passam por esse ambiente hostil. Desde o dono, que faz de tudo para chegar à classe alta (até mesmo sacrificar a “amada”, algo tipicamente realista), as lavadeiras, as moças da vida, as lutas entre os moradores e o ambiente (determinismo), como todos sofrem com ele, como um trabalhador destroi sua vida correndo atrás da mulata, etc, etc.
Definitivamente, o principal do texto são as pessoas que compõe o cenário e como o cenário as influencia.
Um bom livro, obrigatório para a Fuvest e um clássico. Medonho, mas clássico.
Agora, de volta aos bons tempos de narrativa de enigma: vou reler “Um Estudo em Vermelho” de Sir Arthur Conan Doyle, primeiro livro que conta uma aventura de Sherlock Holmes.
Depois, vou ler “Verdade Tropical”, by Caetano Veloso.

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Capítulo 27

Maio 28, 2009 · Deixe um comentário

Tomei coragem e voltei a escrever alguma coisa. Decidi fazer engenharia química, então está meio difícil de ler nas mesmas proporções. Tanto que o post a seguir não é nem sobre um livro, mas sobre um filme que envolve um livro: Capítulo 27.
O filme conta a história do assassinato de John Lennon, dando uma ênfase grande para seu assassino. Há uma ênfase grande, portanto, com a relação esquizofrênica com o livro “Apanhador no Campo de Centeio” lido recentemente por mim. O filme é muito bom, vale a pena. Além do mais, faz inúmeras referências ao livro, o que gera um ar de curiosidade para a leitura. Há cenas em que aparece o menininho que canta a música, cenas de um campo de centeio, etc, etc. Além de todas as referências ao livro, conta a história da morte de um dos grande músicos/artistas dos últimos tempo: meu grande fã John Lennon.
Portanto, quem é fã de do livro e dos Beatles, deve assistir!
Outra coisa: tô na página 70 do Cortiço.
Logo mais aparece outro post…

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De volta a Graciliano

Maio 1, 2009 · Deixe um comentário

Pequenas observações sobre Vidas Secas:
Graciliano Ramos escreve palavras como “Sinha” ou “catinga” por pura opção sua. Pesquisadores do autor afirmam que ele assim o fazia para que fosse possível uma maior aproximação do modo de falar nordestino miserável. Essa tentativa de aproximação é típica do movimento literário ao qual a obra Vidas Secas pertence, o modernismo, que prega um total desapego à cultura europeia, a não ser que essa seja, antes, “digerida” (daí vem o movimento antropofágico divulgado pelos modernistas). Outro exemplo desse desapego e tentativa de aproximação com outras culturas é Macunaíma, de Mário de Andrade, obra na qual o autor usa diversos vocábulos tupi-guaranis. Além disso, na obra Vidas Secas, por pertencer à segunda fase desse movimento, tem como objetivo mostrar os problemas sociais do país. No caso, a vida do sertanejo, sendo explorado tanto pelo meio em que vive como pelas pessoas com quem convive. A caatinga judia Fabiano e sua família, o Soldado Amarelo prende injustamente o protagonista, o patrão distorce as contas e diminui o salário. Outro fato interessante para mostrar esses problemas do nordestino é a desumanização das personagens humanas e a humanização de Baleia, a cachorrinha da família. Fabiano se comunica muito melhor com os animais do que com os humanos, como vemos em: “Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. (…) Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural que o companheiro entendia.. (…) Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma linguagem que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopéias.” (p. 20). Isso explica porque Fabiano pode falar por meio de onomatopeias. É tão desumanizado que fala com os animais através dos sons que essas criaturas produzem e, o pior de tudo, é compreendido muito melhor do que se conversasse com um humano. Através dessas e outras características, Graciliano faz um retrato fiel da vida do nordestino da época, mostrando todas as dificuldades do povo. São essas opções e criações de personagens, feitas tão fantasticamente, que tornam livros como Vidas Secas uma obra-prima.

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Ídolos mortos = 0

Abril 26, 2009 · Deixe um comentário

Terminei hoje a tarde O Apanhador No Campo de Centeio. Não consigo definir EXATAMENTE a opinião sobre o livro.
Através dele, Holden Caufield, conta o que acontece no período após ter sido expulso do Pencey, um colégio interno e o que faz durante o tempo que passa até voltar para casa, evitando um confronto com seus pais. Conta sua vida na escola, como foi expulso, suas reflexões sobre a vida. Sobre o que acontece na saída da escola até voltar para casa, conversa com pessoas importantes na sua vida, como uma irmã, uma amiga, dois professores que foram importantes, etc. Conta sobre sua família, sobre seus “colegas” de escola, sobre seu irmão que morreu, Allie, sobre seu irmão que vive em Hollywood, escrevendo contos e filmes. Uma grande reflexão sobre a vida e o que acontece durante a adolescência, fase considerada desimportante na época em que J. D. Stalinger escreve o livro.
Dois fatos que me aborreceram muito sobre o livro: As gírias, o modo de escrever MUITO americanizado e a falta de um conflito principal. Tudo bem que há todo um contexto, etc, mas nada “desponta” durante o período narrado. Há muitos fatos e todos que levam a uma reflexão, mas não há um conflito central, o que torna um POUCO monótono. Acho que, o que salva nesse caso, é que o texto é curto (180 pp.) e que o autor/personagem não enrolam em descrições, ficam bons tempos contando acontecimentos e reflexões.
Enfim, é um bom livro, uma interessantíssima visão sobre a vida do adolescente e o melhor, li e não matei nenhum ídolo ao final da leitura.

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Você, Quaresma, é um visionário…

Abril 15, 2009 · Deixe um comentário

Terminei, após tanto tempo, Triste Fim de Policarpo Quaresma.
Admito que gostei. Bastante até. Comecemos logo a falar do romance. Policarpo Quaresma é um pacato funcionário público. Sempre agindo corretamente, a ponto de a vizinhança usar sua pontualidade como relógio. Mas havia um “problema”: seu amor à pátria. Quaresma lia tudo sobre o seu país, conhecia muito fauna, flora, geografia, história, enfim tudo sobre a nação. Lia. O que parecia ser um absurdo para alguém que não seria doutor ou algo do gênero na época. “Para quê a leitura?” perguntavam-se as pessoas. Além disso, começou a aprender violão. Daí surge um dos personagens interessantes da narrativa: Ricardo Coração dos Outros. O trovador representa a camada pobre da sociedade carioca/brasileira da época. Pouco reconhecido (não no sentido de apreciado, afinal, chega até a fazer algum sucesso) por sua profissão, ensina o major a arte da música. Além dele, temos Olga, a afilhada do major, que representa em certos momentos o que pensava Lima Barreto. Temos também Ismênia, que enlouquece por não ter se casado. Há aqui a crítica ao matrimônio, ao medo de não ficar “para tia”, a necessidade de se casar e manter uma imagem perante a sociedade. Temos Bustamante e Albernaz que, apesar de militares, nunca haviam participado de uma guerra. Temos a irmã de Policarpo, bondosa, atenciosa e sempre preocupada com o irmão e suas ideias, Adelaide, há também o negro Anástacio que trabalha com o major na fazenda. E outros, como Genelício, Coleoni, que representam várias camadas da classe média da época.
Quanto ao enredo, se divide em três partes:
Primeiramente, Policarpo é caracterizado, assim como outros personagens, há a festa de noivado de Ismênia, são mostrados os estudos do major sobre o país, o folclore, as culturas indígenas(tomando aulas de violão com Ricardo, lendo, etc) e sua criação de um projeto para que a língua oficial do país deixe de ser o português e passe a ser o Tupi. Tido como louco e a ideia como ridícula, acaba indo para um manicômio.
Na segunda parte, Policarpo deixa o manicômio e vai para o campo, onde se dedica a atividade rural, ao cultivo, à exploração de “uma das terras mais férteis do mundo. Nova decepção, com a destruição das plantações por parte das saúvas (que me lembraram MUITO de “Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são” lido em Macunaíma, de Mário de Andrade”) e as dificuldades para vender o que se produz, além das multas por parte dos políticos que ele não concordou em ajudar.
A terceira e última parte mostra a participação de Quaresma e de outros personagens na Revolução Armada e o triste fim do personagem. Mostra a desilusão do protagonista e outras coisas que é melhor não comentar para evitar um spoiler.
Marcado pelo intenso humor-ácido ao nacionalismo, Lima Barreto revoluciona com a ideia de que “o Brasil é o país do futuro”, de todas as ideias de que um dia ainda será uma grande potência, etc. Alguns pontos marcantes são a loucura de Ismênia, todas as ideias de Policarpo (incluindo receber a afilhada e seu pai ao melhor estilo Tupinambá: chorando e se descabelando. Observação: a professora de literatura confirmou: Lima Barreto realmente pesquisou e esse fato é real, o costume tupinambá realmente existe/existiu, porém não tão exagerado como Quaresma faz) e, sem dúvida nenhuma, a carta que Quaresma manda à irmã quando está preso, logo no final da narrativa.
Aí temos a total desilusão do personagem. Uma frase que marcou certamente foi: “Ninguém compreende o que quero, ninguém deseja penetrar e sentir; passo por doido, tolo, maníaco e a vida se vai fazendo inexoravelmente com a sua brutalidade e fealdade.”
A carta em si já vale por toda a narrativa. Adicionando-se a ela a narrativa a estereotipação das personagens, as críticas, o humor, então, temos um clássico.
Sobre a continuidade dos livros: vou evitar ler tão precocemente “O Cortiço” para evitar o que aconteceu com Germinal (dizer até que eu não li…). Lerei, portanto “Apanhador No Campo de Centeio” e, depois, quem sabe, Leite Derramado

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Apesar dos pesares…

Março 20, 2009 · Deixe um comentário

Apesar da decepção após a professora de literatura (que, aliás, leu e elogiou o blog) ter contado o final do livro pra sala, comecei a ler “Triste Fim de Policarpo Quaresma’.
Chegando pela página 40, já se percebe uma genialidade única e cômica de Lima Barreto e toda a “insanidade” (se é que pode ser mesmo chamada assim) de Policarpo Quaresma, heroi do Brasil.

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No mínimo, agonizante

Março 2, 2009 · Deixe um comentário

Terminei hoje Vidas Secas, do Graciliano Ramos. Gostei bastante, algo bem diferente de tudo que eu já li.
A história retrata a vida de uma família do sertão nordestino brasileiro e todas as dificuldades por eles enfrentadas. A família é contituída de Fabiano, o pai, Sinhá Vitória, a mãe, os irmãos mais velho e o mais novo e a cachorrinha Baleia.
Começando com a chegada em uma fazenda após uma longa e dolorosa jornada por um sol escaldante e uma paisagem seca, conta o que acontece na vida dessa família até que eles tenham que se mudar de novo para outro lugar, representando a vida dos retirantes, que se mudam em busca de um lugar melhor e, infelizmente, mais úmido.
Dentro desse curto período são mostradas a quermesse, a morte da cachorrinha Baleia de forma tragicíssima, a prisão e “vingança” de Fabiano sobre o Soldado Amarelo.
Uma grande “crítica” e relato da vida desse povo pobre, sofrido, que passa pelas mais difíceis situações.
Uma coisa interessante é a falta de capacidade de expressão do povo. Constituída basicamente de mímicas e gestos, as falas se reduzem à frases simples, grunhidos, sons gulturais. Porém, há muito mais por trás desses gestos e grunhidos. Há todo um questionamento sobre a vida, sobre a sociedade, até sobre o acúmulo de conhecimentos, quando Fabiano, em vários momentos, pensa em Tomás da bolandeira que, apesar de tanto ler, morreu do mesmo jeito que todos os sertanejos pobres.
Um fator interessante da história e que eu não sei se todos aqueles que leram o sentiram, foi a agonia da falta de capacidade de se expressar, de se revoltar, de lutar pelo que as personagens não consideram certo, isso gera um misto de agonia e revolta que acho que só Graciliano conseguiria criar.
No mínimo, há raiva quando Fabiano é preso injustamente pelo Soldado e uma raiva maior ainda pela covardia demonstrada pelo Soldado ao se encontrar com Fabiano algum tempo depois durante uma caça.
Enfim, é meio indefinível essa descrição de sentimentos gerados pela leitura do livro, mas que é algo único, é.

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A Germinação do Povo

Fevereiro 25, 2009 · 1 Comentário

Terminei há algumas horas a leitura de Germinal. Mesmo sendo uma versão adaptada e resumida, me impressionou muito. Não tenho certeza se fiz bem em ter lido a edição adaptada, mas, por causa do tempo, acho que não teria conseguido cumprir o prazo de todas as leituras se tivesse feito a leitura do texto integral, afinal, como a Vivs falou, chega-se na página 70 e ainda se fala dos campos de trigos e dos pobres mortos de fome sem a menor citação de uma mina de carvão.
Enfim, nessa versão, logo na primeira página vemos a chegada do nosso protagonista, que sem dúvida se tornou uma personagem notável: Étienne que, a procura de trabalho, chega a mina de Voreux e lá é contratado. Após uma série de injustiças com ele e com todos os outros passa a organizar uma greve que é o foco principal do livro.
Além disso com sua chegada na aldeia, conhece a mocinha da história, Catherine, que faz parte de uma família extremamente humilde, como são todas as famílias de operários de minas da França daquela época.
A greve é mostrada como um feito grandioso, o povo é mostrado sonhador, mas que não sabe perder, não aceita a possibilidade de ser vencido e, quando isso acontece, joga a culpa para cima do líder. Triste, mas é verdade.
Outro fato interessante é uma citação sobre as ideias dos pobres desse período e que perdura até hoje. Em uma parte do livro, durante uma “reunião” no bar que fica na aldeia, um dos integrantes do grupo de operários lê que dois trabalhadores ganharam na loteria e ficam com o dinheiro para si. Além disso, em um momento da história, Chaval abandona a greve e os companheiros para se tornar contra-mestre da mina. Ou seja, o pobre sonha com a riqueza para todos, com a igualdade, a justiça. Porém, quando alcança a riqueza, toma-a para ele e não pensa nem em sonhos em dividi-la.
Mais interessante e crítico ainda é a situação da burguesia. São poucos os que se salvam no meio daquela corja. O único burguês que se mostra razoavelmente bom é Négrel, um engenheiro, que, no final do livro e com o desabamento da mina, ajuda incansavelmente no resgate dos operários e, além disso, fica extremamente revoltado ao saber que um dos contra-mestres abandonou os operários para se salvar. Além dessa personagem, nenhuma outra se mostra extremamente boa, há um que se mostra triste com a riqueza e a falta de um amor, mas a esmagadora maioria só se importa com a situação das minas e com a volta dos operários ao trabalho, para assim poder extrair mais e mais dinheiro deles.
Quanto ao movimento literário e isso é importante ressaltar, é preciso uma boa reflexão para perceber, sem nenhum contexto temporário sobre Zola, que se trata de um texto realista. Parece com um romântico, mas a partir da falha na greve que se percebe que o mundo não pode ser melhorado. O final, por ser realista, é trágico, mas grandioso.
Émile Zola, em ~1880 conseguiu representar muitíssimo bem a situação do seu país em 1850, uma diferença de cerca de 20~30 anos.
Fora essa obra-prima, ganhei de aniversário de um dos leitores assíduos do blog, um livro que conta a história da Rainha das Ciências, a matemática. Matemática com História e um pouco de Filosofia, só pode ser grandioso. Assim que tiver tempo, lerei.
Agora parto para a segunda leitura obrigatória do bimestre.
Graciliano Ramos.
Vidas Secas.

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