Terminei hoje Vidas Secas, do Graciliano Ramos. Gostei bastante, algo bem diferente de tudo que eu já li.
A história retrata a vida de uma família do sertão nordestino brasileiro e todas as dificuldades por eles enfrentadas. A família é contituída de Fabiano, o pai, Sinhá Vitória, a mãe, os irmãos mais velho e o mais novo e a cachorrinha Baleia.
Começando com a chegada em uma fazenda após uma longa e dolorosa jornada por um sol escaldante e uma paisagem seca, conta o que acontece na vida dessa família até que eles tenham que se mudar de novo para outro lugar, representando a vida dos retirantes, que se mudam em busca de um lugar melhor e, infelizmente, mais úmido.
Dentro desse curto período são mostradas a quermesse, a morte da cachorrinha Baleia de forma tragicíssima, a prisão e “vingança” de Fabiano sobre o Soldado Amarelo.
Uma grande “crítica” e relato da vida desse povo pobre, sofrido, que passa pelas mais difíceis situações.
Uma coisa interessante é a falta de capacidade de expressão do povo. Constituída basicamente de mímicas e gestos, as falas se reduzem à frases simples, grunhidos, sons gulturais. Porém, há muito mais por trás desses gestos e grunhidos. Há todo um questionamento sobre a vida, sobre a sociedade, até sobre o acúmulo de conhecimentos, quando Fabiano, em vários momentos, pensa em Tomás da bolandeira que, apesar de tanto ler, morreu do mesmo jeito que todos os sertanejos pobres.
Um fator interessante da história e que eu não sei se todos aqueles que leram o sentiram, foi a agonia da falta de capacidade de se expressar, de se revoltar, de lutar pelo que as personagens não consideram certo, isso gera um misto de agonia e revolta que acho que só Graciliano conseguiria criar.
No mínimo, há raiva quando Fabiano é preso injustamente pelo Soldado e uma raiva maior ainda pela covardia demonstrada pelo Soldado ao se encontrar com Fabiano algum tempo depois durante uma caça.
Enfim, é meio indefinível essa descrição de sentimentos gerados pela leitura do livro, mas que é algo único, é.
No mínimo, agonizante
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